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Sou Professor de História
terça-feira, 28 de junho de 2016
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Não Critico Minha escola
Relendo os Posts que escrevi até agora gostaria de deixar bem claro uma coisa. Eu não critico a minha escola! Criei esse espaço para compartilhar o dia a dia do professor com outros professores e futuros professores. Se é para ser um espaço honesto de discussão então é importante falar o que se acontece. E em todo lugar onde se tenta de verdade fazer um bom trabalho, sempre existem erros. O problema não é errar, é ter medo de tentar e não fazer. Tenho 13 anos de experiência, já trabalhei em 8 escolas, e sem dúvida as escolas que escolhi trabalhar é porque, de alguma forma, me despertaram interesse. Saí de outras escolas para fica na escola que estou pois de todas as que trabalhei até hoje, é aquela com a qual mais me identifico. Seria tolice falar mal do local onde estou, compartilhar angústias (as quais compartilho inclusive com os meus colegas e "superiores" não é falar mal, é dar as mãos de forma sincera por crer em uma travessia conjunta por um caminho difícil de se trilhar.
A Mãe que queria o caderninho
Em uma escola onde os pais possuem uma relação muito próxima com a direção da escola, por vezes, temos que nos dedicar uma parte relativamente grande de nosso tempo respondendo, da forma mais atenciosa e dedicada possível questionamentos de pais, que por vezes são pertinentes e por outras vezes meramente curiosos (sim, há pais e mães que pedem receitas históricas e dicas de filmes) seja como for, esse tipo de contato, quando possível dentro do horário do professor, não é de todo ruim. Entretanto gostaria de relatar aqui um ocorrido sobre "A mãe que queria o caderninho"
Aquele menino, como tantos outros, tinha grandes dificuldades na matéria de história. O enfoque de contextualização, relação, interpretação e análise, aplicação de conceitos, debates, entre outros procedimentos e habilidades diversas, que tenho em minhas aulas, faz com que muitos alunos e pais que estão acostumados com o sistema de memorização, tenham dificuldades. A justificativa é clara, não adianta de nada ter um monte de nomes aleatórios memorizados, mas é muito útil para a vida compreender a sociedade em sua volta, saber seus direitos, como fazer intervenções, entre outras coisas. Normalmente mesmo os pais que criticam, o fazer por não conhecer este conceito mais moderno das aulas de história como formação de um cidadão critico e participativo, e quando o contato com o professor é efetivado os pais normalmente aprovam a ideia.
Voltando ao menino! Já como meu aluno há 3 anos, sempre ficava na recuperação, sempre precisava de apoios especiais e tinha dificuldades para acompanhar a turma, especialmente para acompanhar as discussões em sala. A mãe, já havia questionado o meu trabalho várias vezes. Mas eis que em uma reunião ela vem, olha fundo "e brava" para mim e declara. Professor! Eu sei que ninguém é capaz de chegar a nenhuma conclusão sozinho, só decoramos coisas que nos mandam decorar. Sei que você tem algum caderninho escondido em algum lugar que você memoriza para dar suas aulas! Meu filho não consegue decorar nada! Deixa eu tirar xerox do seu caderninho que prometo que ele vai bem na prova!" Tentei explicar que tal hipotético caderninho não existia. Que, pelo contrário, grande parte da aula vinha do conhecimento prévio dos alunos e de soluções problema que eram apresentadas, propostas discutidas e então comparadas com o fenômeno histórico. Mas ela relutava em aceitar: "Professor, eu já trabalhei em escola! sei que existe esse blablablá todo! Eu decorava isso e falava isso pros pais o tempo todo. Mas sei que todo professor tem seu caderninho e que tudo o que fala está escrito lá. Deixa de ser chato, deixa eu tirar xerox do caderninho" ... e a discussão foi seguindo, a fila de pais para a reunião aumentando e a mãe não se conformava no fato de que tal caderno não existia ... se algum professor o fazia, eu, certamente, não era um destes.
A conversa levou mais meia hora e terminou com apoio da coordenação, que confirmou a inexistência do caderno, mas a mãe não estava contente ainda. Estava disposta (como muitos dos pais da escola particular) tirar o seu filho da escola caso a exigência não fosse atendida! ... seja como for, a reunião acabou e as férias chegaram .... foi por um triz.
Mas eis que, após as férias, algo misterioso, milagroso, ocorre. A mesma mãe volta maravilhada e o filho com uma postura completamente diferente. A mãe, cheia de mil elogios diz que havia descoberto que era verdade, o caderninho não existia. Havia ela e seu filho viajados para a Europa naquelas férias e lá resolveram visitar vários museus renascentistas. E qual não foi o espanto dela ao ver o seu filho olhar obras de arte e conseguir analisá-las no contexto histórico da época. E quando perguntado sobre de onde havia tirado aquilo, em que programa havia visto aquela análise, ele respondia que havia deduzido por conta própria baseado nas minhas aulas. A mãe desafiava o filho e via que em quadros que não eram de forma algum famosos ele era capaz de realizar as relações. A mãe volta agradecendo por saber que não existia o caderninho ... o filho, por sua vez, ao ver que a mãe o admirou tanto por seu conhecimento começou a ter uma relação diferente com a matéria. Nunca foi o mais brilhante dos alunos, mas respeitou a aula e o saber, dedicou-se, a mãe tornou-se parceira ....
Ah se eu pudesse pagar uma viagem para a Itália a todos os meus alunos ....
Aquele menino, como tantos outros, tinha grandes dificuldades na matéria de história. O enfoque de contextualização, relação, interpretação e análise, aplicação de conceitos, debates, entre outros procedimentos e habilidades diversas, que tenho em minhas aulas, faz com que muitos alunos e pais que estão acostumados com o sistema de memorização, tenham dificuldades. A justificativa é clara, não adianta de nada ter um monte de nomes aleatórios memorizados, mas é muito útil para a vida compreender a sociedade em sua volta, saber seus direitos, como fazer intervenções, entre outras coisas. Normalmente mesmo os pais que criticam, o fazer por não conhecer este conceito mais moderno das aulas de história como formação de um cidadão critico e participativo, e quando o contato com o professor é efetivado os pais normalmente aprovam a ideia.
Voltando ao menino! Já como meu aluno há 3 anos, sempre ficava na recuperação, sempre precisava de apoios especiais e tinha dificuldades para acompanhar a turma, especialmente para acompanhar as discussões em sala. A mãe, já havia questionado o meu trabalho várias vezes. Mas eis que em uma reunião ela vem, olha fundo "e brava" para mim e declara. Professor! Eu sei que ninguém é capaz de chegar a nenhuma conclusão sozinho, só decoramos coisas que nos mandam decorar. Sei que você tem algum caderninho escondido em algum lugar que você memoriza para dar suas aulas! Meu filho não consegue decorar nada! Deixa eu tirar xerox do seu caderninho que prometo que ele vai bem na prova!" Tentei explicar que tal hipotético caderninho não existia. Que, pelo contrário, grande parte da aula vinha do conhecimento prévio dos alunos e de soluções problema que eram apresentadas, propostas discutidas e então comparadas com o fenômeno histórico. Mas ela relutava em aceitar: "Professor, eu já trabalhei em escola! sei que existe esse blablablá todo! Eu decorava isso e falava isso pros pais o tempo todo. Mas sei que todo professor tem seu caderninho e que tudo o que fala está escrito lá. Deixa de ser chato, deixa eu tirar xerox do caderninho" ... e a discussão foi seguindo, a fila de pais para a reunião aumentando e a mãe não se conformava no fato de que tal caderno não existia ... se algum professor o fazia, eu, certamente, não era um destes.
A conversa levou mais meia hora e terminou com apoio da coordenação, que confirmou a inexistência do caderno, mas a mãe não estava contente ainda. Estava disposta (como muitos dos pais da escola particular) tirar o seu filho da escola caso a exigência não fosse atendida! ... seja como for, a reunião acabou e as férias chegaram .... foi por um triz.
Mas eis que, após as férias, algo misterioso, milagroso, ocorre. A mesma mãe volta maravilhada e o filho com uma postura completamente diferente. A mãe, cheia de mil elogios diz que havia descoberto que era verdade, o caderninho não existia. Havia ela e seu filho viajados para a Europa naquelas férias e lá resolveram visitar vários museus renascentistas. E qual não foi o espanto dela ao ver o seu filho olhar obras de arte e conseguir analisá-las no contexto histórico da época. E quando perguntado sobre de onde havia tirado aquilo, em que programa havia visto aquela análise, ele respondia que havia deduzido por conta própria baseado nas minhas aulas. A mãe desafiava o filho e via que em quadros que não eram de forma algum famosos ele era capaz de realizar as relações. A mãe volta agradecendo por saber que não existia o caderninho ... o filho, por sua vez, ao ver que a mãe o admirou tanto por seu conhecimento começou a ter uma relação diferente com a matéria. Nunca foi o mais brilhante dos alunos, mas respeitou a aula e o saber, dedicou-se, a mãe tornou-se parceira ....
Ah se eu pudesse pagar uma viagem para a Itália a todos os meus alunos ....
Lidando com o Racismo Oculto
Algumas situações são tidas por tão naturais aos alunos que por vezes na cruel inocência acabam reproduzindo situações racistas. É importante ao professor saber lidar com a situação e conseguir combater tais preconceitos, mas tal sabedoria precisa passar pelo conhecimento do universo cultural do aluno. Lecionando em uma escola de classe média alta fiz uma pergunta aparentemente simples em minha avaliação "que motivos levam Portugal a adotar a mão de obra escrava africana no Brasil". A essa questão queria que comentassem a questão do desejo por lucro, do modelo de produção, e se possível, demonstrassem na questão certa postura crítica a respeito do ocorrido. Entretanto fui inundado por respostas do tipo "Porque alguém tinha que trabalhar aqui no Brasil né?" .... Como se automaticamente se alguém precisava trabalhar então a única forma de fazê-lo seria se utilizando de escravos. Outro aluno ainda respondeu "Por que é claro que não iam pegar escravos na Europa!" ... por que motivo o aluno considera claro que não poderiam pegar escravos na Europa? O que tornaria os europeus superiores e não passíveis da escravidão? Uma outra resposta ainda foi "Pegaram escravos na África pois é lá que os escravos ficavam" semelhante à "Pegaram escravos na África pois os escravos eram negros e os negros moravam na África" como se houvesse uma questão biológica natural e racional que fizesse os negros africanos serem automaticamente escravos. Esses alunos tinham 11 anos, creio que alguns podiam estar conscientes do tamanho do racismo colocado em suas respostas, entretanto a outros aquelas respostas pareciam tão inocentes (obviamente não reflexivas e nem críticas) mas não passíveis de uma intenção de causar problemas. Por fim, a resposta final "Por que os portugueses eram racistas e como não gostavam dos negros escravizaram eles" O racismo parece, na mente deles, natural, e ele teria sido a causa da escravidão e nunca uma consequência desta. Como combater o racismo em uma sociedade onde ele está tão permeado? Não há forma melhor do que se utilizando o raciocínio, a compreensão. A educação e a capacidade de pensar ampliam a mente, a deixando tão cheia de coisas que não cabe espaço ao antiquado racismo.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Em breve
O Professor Leandro Villela de Azevedo começará postagens aqui, em breve, compartilhando histórias e causos vividos em seus 13 anos como professor de história em São Paulo. A ideia é que outros professores da mesma disciplina possam compartilhar também suas experiências, sendo um espaço informal de compartilhamento de experiências.
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